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03 agosto, 2017

13 novembro, 2016

POEMA DE JONNATA HENRIQUE



Isidro Sousa um exemplo é
De dedicação à literatura

Português visionário no que faz
São doze antologias idealizadas
Lindas e diferentes e ousadas
Exacerbando linhas continentais
Interligando imaginações sagaz
Reinventa-se com arte transfigura
Prosa e Poesia mantém emoldura
Com afinco amor e muita fé
Isidro Sousa um exemplo é
De dedicação à literatura


Jonnata Henrique 13/11/2016


25 janeiro, 2016

A BÍBLIA DOS PECADORES - POEMA DE JORGE PINCORUJA




A BÍBLIA DOS PECADORES
– Jorge Pincoruja

A “Bíblia dos Pecadores” é uma obra que não tem religião
E todos os seus autores...
Com afincados labores...
A fizeram cheia de inspiração.

Ainda andava nos segredos de Deus...
E já dava uma “baita” confusão...!
Rasgaram-se a Terra e os altíssimos céus
Por causa da publicação!

Mas se o homem sonha... a obra acontece.
E todos nós que tanto nos empenhámos
Demos a nossa confiança a quem merece...
E esta bela obra já ganhámos.

Foi a força do Isidro Sousa... esse valente rapaz
Que munido de grandes valentias
Com a força de um antigo cruzado
Apesar do mau bocado... como David e Golias
Aqui nos dá, e aqui nos traz
A “Bíblia dos Pecadores” que não tem inquisição
Já se morderam os doutores das leis da comichão...
Eu próprio já fiz barulho de ser e por direito
Autor livre, desempenado de preconceito...
De religião, ideologia ou conceito
Só pelo prazer de escrever...
Portanto, assim eu quero ver...
Muitos olhos a desfolhar esta obra tão marcante
Que quem ler não ficará a levante
De tudo o que na “Bíblia dos Pecadores” encontrar para ler.

Amém

---
Jorge Pincoruja é um dos 44 autores de «A Bíblia dos Pecadores - Do Génesis ao Apocalipse», cujo lançamento irá ocorrer em meados de Fevereiro.

01 janeiro, 2016

DE JANEIRO EM JANEIRO


Poema de JORGE MANUEL RAMOS


Sou como um estranho de mim próprio
Vendo o mundo sereno a escapulir-se
Por entre minhas mãos cansadas de rezar
Por alguém, ou pela minha própria mãe
Como ela sempre me ensinou a fazer,
Não sinto saudades, só compaixão
Tudo se perdeu na minha mente,
Viajo num labirinto ingreme e sinuoso
Onde tudo se mistura num ritual
De odor nauseabundo e pecaminoso.

Ah! Como trocaria esta hora
Pelo regresso da minha infância
E esperaria sem preocupação
A hora de celebrar a minha idade
E dar a toda a gente as Boas Festas
Com a mais verdadeira sinceridade,
E como ficaria ali sentado observando
E esperando ser retribuído sem vaidade
Nesse tempo real de Janeiro a renascer
E a progredir em esperanças e cantos.

Ah! Como queria voltar a esse tempo
Sem ver agonia e gente a sofrer
Sem pão, sem dinheiro, sem prantos,
Pedindo e cantando de porta em porta
Apenas e só pela tradição e pelo prazer,
De queimar o ano velho e o Natal
Sem a tradição alterada e adulterada
Naquela quente fogueira do terreiro
Onde o amor e a solidariedade proliferava
E se celebrava de Janeiro em Janeiro.

Ah! Como trocaria esta hora
Pelo regresso da minha infância
E esperaria sem preocupação
A hora de celebrar a minha idade
E dar a toda a gente as Boas Festas
Com a mais verdadeira sinceridade.


---
in «Boas Festas», páginas 218-219
Silkskin Editora, Dezembro 2015


NOTA BIOGRÁFICA DO AUTOR
Jorge Manuel Ramos nasceu em 1966, em Seia, e reside em Oliveira do Hospital. Na sua poesia mostra primordialmente as preocupações sociais, facto que a torna interventiva, porém, não relega temas como o amor, a paixão e a observação da natureza. Tem dois livros editados: «As Palavras e a Vida» e «Devaneando». Participa em «Palavras de Veludo» (Orquídea Edições) e «A Bíblia dos Pecadores», uma antologia independente organizada por Isidro Sousa. Publicou este poema («De Janeiro em Janeiro») na antologia «Boas Festas», lançada em Dezembro pela Silkskin Editora.

06 dezembro, 2015

NO SILÊNCIO DA LAGOA


Sentado na rocha, agasalhado por uma calma turbulência
nestas horas tardias escorrendo tão prenhes da tua ausência
relembro o derradeiro mergulho nas águas límpidas da lagoa
quando me tornaste a amar antes de abalares para Lisboa

Habitavas-me e percorrias-me à beira deste mar cristalino
buscando (febrilmente) os mistérios do meu corpo franzino
e os teus belos cabelos (desgrenhados) pelo vento zurzidos
chicoteavam o silêncio em redor da lagoa povoada de gemidos

Acariciando-nos, o Sol ardia (num fundo azuláceo) inclemente
as águas cúmplices e revoltas lambendo os pés languidamente
– a inquietude vislumbrando as areias rasgadas pelo caranguejo
enquanto me apertavas e abraçavas (raivosamente) com desejo

Antes de me deslumbrar com a força portentosa do teu abraço
e depois de mergulhar o rosto nesse tórax vigoroso feito de aço
o teu cheiro convocou o cio... esta sede que só tu sabias saciar
quando (poderoso) me esmagavas, apressando no peito o arfar

Libertando sussurros perdidos no areal vagando sem dimensão
buscavas a certeza de que permanecia contigo no mesmo chão
Venceste-me (louco de prazer) na orla penumbrosa de outrora
e abraçando-me (vestido de seiva) fizeste tenção de ir embora

Estava transfigurado, convertido em líquido, todavia fascinado
– êxtase sublime de quem se sente amado, plenamente saciado
Mas atirando-nos novamente nas águas translúcidas da lagoa
amaste-me outra vez (loucamente) antes de retornares a Lisboa

---
in «A Lagoa de Óbidos, o Mar e Eu», página 202
MP Edições, Outubro 2015

03 setembro, 2015

PRÍNCIPE DE ÉBANO


Juno (no papel) a minha pluma te esboçou
belo atormentado camponês transmontano
com Java essoutro apolo a pena te imortalizou
irresistível perseguido bailarino açoriano

Amigos clandestinos (amantes) em fogo turbulento
quais vendavais intoleráveis sempre ultrapassados
em sagrado leito compartilhado no secreto aposento
amores e desamores (para) sempre reencontrados

Há mais de um decénio aguardava pacientemente
para aos olhos do mundo a vossa ventura desvendar
interminável espera vã se revelaria surpreendente
sem que a vossa odisseia pudesse (ainda) divulgar

Mas eis de repente um inesperado acontecido
sem nada alterar (quase) todo o panorama mudou
um novo Juno nascido ao meu suave ouvido
companhia (física) diária no meu lar se tornou

Um belo Cocker Spanil, qual principezinho de ébano
o pretinho da janela que a todos cusca no miradouro
tempos volvidos perderia o (irrequieto) traquina insano
ganhando um anjo de candura, raio de luz duradouro

Doravante, as personagens jazem olvidadas na gaveta
emaranhadas num limbo (profundamente) adormecido
ansiando pela aurora que anunciará o toque da trombeta
fazendo a narrativa retumbar num amanhecer florido


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Poema seleccionado para «A Lagoa de Óbidos, o Mar e Eu»
Uma antologia poética da MP Edições que será lançada em Outubro

01 agosto, 2015

SONOLÊNCIA ONÍRICA


Ouço a tua música (no chão da sala aninhado) afundando
numa prazenteira sonolência, um estado quase onírico.
E o telemóvel anuncia que vens devolver-me aquele livro.
Em tronco desnudo, assim te recebo à porta da minha casa
– vestes calças de ganga e uma camisa de seda branca
que realça o teu peito largo e naturalmente definido.
O calor faz-te despi-la, revejo (regalado) esse tórax estonteante.
Miro-te as coxas grossas – entre elas, o volume proeminente.
Passo-te no ombro uma mão, o cotovelo esfrega uma perna.
Transpirando mais, não me olhas frontalmente, confrangido.
Eis então um par de copos, gelo e a garrafa de Jack Daniels...
Levas o copo aos lábios, gotas de whisky salpicam-te o peito.
Tacteio-o rápido (desejoso de o acariciar) à guisa de o limpar.
Sinto-te tenso: fortes vibrações sacodem-te a pele acetinada.
Agarrando-te pelos ombros, encaras-me num beijo delicado
– e retribuis-me com ardor (sôfrego) o arroubo apaixonado.
Línguas de fogo perdem-se nas bocas, nos abismos mergulham
– abraço-te, acaricias-me, e vibramos (rolamos nus) na carpete.
Sugo-te o pescoço, as orelhas, os ombros, os mamilos eriçados
– e esses teus lábios buscam os meus (querendo mais) beijos.
Falos palpitando (em anseio crescente) roçam-se, sentem-se.
Corpos embriagados nessa (una) massa de carne palpitante.
Suores fundidos (odores inebriantes) invadindo as narinas.
Deslizo-te os dedos pelo torso buscando o sexo quente...
– e retine o telemóvel (rejeito a chamada, o som repete-se).
Atendo... (surpresa!) a tua voz sedutora do sonho me desperta.
Perguntas se podes (subir para) devolver o livro emprestado.
O ascensor traz-te. Preparo copos, gelo e a garrafa de whisky.
Mal abro a porta, vejo que vestes calças de ganga e a branca
camisa que te realça o peito largo e naturalmente definido...

---
in «Entre o Sono e o Sonho», página 552
Antologia de Poesia Contemporânea, Vol. VI
Chiado Editora, Março 2015

22 julho, 2015

OS RAPAZES DA CALÇADA



Sentado na esplanada no silencioso entardecer mergulhada
entre a fumegante chávena de café e as páginas do jornal
entretenho-me a observá-los... subindo e descendo a calçada
– com passadas tão vigorosas quanto eles próprios: os rapazes
Algo a despropósito (vindo de nenhures)... insinuam-se
os versos musicados de Ary dos Santos – excelente!
Mas o Sol implacável obriga a isso mesmo: a deixar-se estar...
a não fazer nada... ficar a ver a Cidade passar – e os rapazes
que (nestas fastidiosas alturas) interessam bem mais
do que as inenarráveis manchetes sensacionalistas
ou a última discussão no Parlamento

Indiferentes a tudo ao seu redor
os rapazes limitam-se a caminhar... sozinhos ou acompanhados
compondo uma inesgotável sucessão de quadros impressionistas
– curioso o contraste entre o colorido das suas tácitas presenças
e a solenidade sombria e austera do cenário construído
pelas fachadas seculares da calçada

Observo-lhes (admiro!) o imponente tronco maciço
braços fortes, pescoço largo, ombros enormes, cintura minúscula
A postura deles revela-se mais do que irreverente...
pouco menos do que arrogante... digamos que empertigada
Ainda para mais, mascam (ininterruptamente) a pastilha elástica
comprada ritualmente na tabacaria de sempre
Alguns usam brinco, os mais conservadores têm barba discreta
Se não trazem bonés apresentam cabelos louros ou negros
espessos, abundantes, encharcados de gel
ou então rapados... à boa maneira militar
o que tem a vantagem de lhes sublinhar os contornos firmes
dos rostos varonis de vinte e poucos anos de idade

À custa de uma imperceptível conversa ao telemóvel
lá se consegue – excepcionalmente – vislumbrar um sorriso
escancarado, esporádico, forçado
Quanto aos olhos ocultados por detrás dos óculos escuros
imagino que sejam castanhos, enormes, luminosos
– é indiferente se forem rasgados ou amendoados

Ora vestem calças largas ora ficam-se pelos calções e sandálias
Outros ainda, preferem um frequente modelo compromissório
pouco abaixo dos joelhos – e de novo as benditas sandálias!
Trazem camisas (geralmente de xadrez) de mangas arregaçadas
ou t-shirts de todas as cores e padrões possíveis e imaginários
E nas mãos... molhos de cadernos, um livro ou o jornal da bola

Para onde se dirigem? Provavelmente para as suas famílias
para os empregos, para a escola, para os ensaios, para o ginásio
– ou para outras inutilidades e perdas de tempo quaisquer

Ressalta de toda esta (terna) observação a sua alienidade:

desconhecem-se a eles próprios
desconhecem este poema
desconhecem os magníficos instantes

e o verdadeiro turbilhão de sentimentos que acalentam


---
in «Som de Poetas», páginas 193-194
Papel D'Arroz Editora, Junho 2015

11 julho, 2015

DOCE CASTIGO



Aproximou-se respondendo ao chamamento feminino
aquele corpo de sereia que se banhava adorava dominá-lo
sabia como lhe extinguir qualquer réstia de resistência
submetê-lo às suas vontades, aos desejos mais profanos

Admirou-a agachada, à parede fumegante encostada
roçagando as costas num suave deslizar, provocante
dos cabelos escorrendo água que lhe inunda o peito
ela geme tocando-se, suplicando a presença varonil

Achegando-se mais (sorrateiro) em silenciosas passadas
o seu perfume despertando-a do transe... Queres-me?
E ela perdida, fervilhando, pelo clima de sedução absorvida
Sim, quero-te muito... as mãos perscrutando-lhe as pernas
subindo, conquistando o órgão tumefacto cheio de pujança
(nem os boxers conseguiam ocultar tamanho contentamento)

A companheira (ansiosa) removendo o cinto com destreza
sente os botões das calças de ganga a serem arrancados
o corpo ateando centelhas de fogo a cada segundo que voa
Num piscar de olhos as calças deslizam pelos joelhos
a água quentinha trespassa-lhe (agora) os pêlos das pernas

Ela massaja coxas e músculos, aperta as nádegas torneadas
uma mão envolve o membro, abrindo caminho para a outra
contorna o deus-do-amor, a outra navega na floresta púbica
percorrendo o umbigo, a barriga, o território abdominal...

De olhos fechados, deixa-se embalar pelas mãos delicadas
que o levam à boca... mordendo-o, ferrando os dentes no falo
ela está possessa, essa visão excitante enlouquece-o mais ainda

Navega na sétima nuvem! E sente um misto de dor e prazer
quando experimenta... aquelas unhas a rasgarem-lhe a pele
Arranhões que deixarão marcas profundas no corpo e na alma
mas importar-se... ele não se importa... merece o castigo.


---
in «Poema-me», páginas 106-107
Lua de Marfim Editora, Maio 2015