Amante
incondicional da dança, Luna entrega-se de corpo e alma às suas aulas de tango
argentino. Quando dança, o mundo deixa de existir – é somente ela, a música e o
seu corpo. A batida do tango transmite energia, faz vibrar o coração,
desperta-lhe a líbido. Dançando, ela exercita a mente, mantém-se em forma e a
sua sensualidade fica mais aflorada.
A sua turma na
academia de dança tem muitos alunos. A sala sempre cheia, corpos vibrantes roçando-se,
esfregando-se, bailando. O professor, deveras atraente, não se coíbe de assediar
as alunas durante as aulas e instiga os rapazes a fazerem o mesmo. Apesar da languidez
erótica implícita no tango, Luna trava as investidas dos colegas porque não deseja
envolver-se sexualmente com nenhum deles.
Nesta aula, porém,
algo inusitado ocorre. Os alunos vão chegando, o professor trauteia com uma pupila,
Luna espera que a aula comece. Ninguém repara que entrou um novo aluno. Vendo Luna
sozinha, ele vai ao encontro dela.
— Olá! O meu nome
é Júlio.
Luna
paralisa ante a presença enigmática daquele deus grego da beleza.
— E o teu? — continua Júlio, sorrindo.
— Luna
— responde a jovem, enfeitiçada por aquele rapaz de semblante apolíneo.
— Eu
sou novo aqui, Luna. Vim para a minha primeira aula.
—
Então, vem
— balbucia ela, entorpecida. — Vou
apresentar-te...
— Não é
necessário, Luna. Basta conhecer-te a ti.
Luna sente-se
devorada por aquele olhar misterioso, envolvente, arrebatador; e cada vez que o
ouve pronunciar o seu nome, arrepia-se.
Começam a formar-se
os pares para iniciarem a aula. Júlio beija delicadamente a mão dela, apressando-se
em acompanhá-la. Luna, hipnotizada, aceita dançar com ele. Sente, então, o
toque de uma mão ousada na anca. Ele força a abertura de uma perna para o lado,
ela abre as duas pernas, e rodopiam pelo salão, trocando olhares profundos,
divertidos, excitados. Luna, mais experiente, conduz o ritmo; Júlio segue-lhe
os passos. Enquanto dançam, ele acaricia-lhe o corpo, fá-la tremer ao fitá-la
no fundo dos olhos. Quando lhe pressente um volume a armar-se na braguilha, Luna
esforça-se por ignorá-lo, em vão. Na verdade, sente vontade de lhe arrancar as
calças, pegar-lhe no membro erecto e afagá-lo.
No fim da aula, o
professor dá as boas-vindas ao novo aluno. Vislumbrando a química existente entre
ele e Luna, sugere que ambos pratiquem mais a coreografia do tango e afasta-se.
— A aula
deixou-me faminto. Posso convidar-te para jantar? — sussurra
Júlio.
Este convite, para
Luna, é uma ordem. Mesmo que quisesse, não conseguiria recusar.
— A
seguir,
se não estiveres cansada, podemos dançar mais.
Luna, totalmente
rendida e enfeitiçada, segue-o.
Na rua, entram
no carro dele. Júlio liga o motor e arranca.
— A
minha casa tem um salão enorme — afirma Júlio, conduzindo no rumo que pretende,
com um brilho felino nos olhos lascivos. — Lá, jantamos tranquilos e aproveitamos o
salão para dançar.
Durante a
refeição, confessa o quanto a beleza dela o impressiona. Elogia-lhe o corpo de
sereia, os cabelos, o perfume. A seguir, leva-a para o salão, iluminado por
candelabros e decorado em tons escarlate. A música é sublime. Súbito, Luna ouve
os acordes de A Media Luz, de Carlos
Gardel, e demonstra os passos, porém, Júlio assume o controlo da dança; roça-se
nela, atiça-a, excita-a. Ela geme, suspira, delira a cada toque que recebe. Ele
inspira fundo e abaixa-se, de braços erguidos, mãos dadas com ela, beija-lhe o ventre
e esfrega-lhe o rosto na zona púbica, inebriando-se com o aroma que daí exala.
— Júlio, não aguento
mais...
— Não tenhas
pressa, querida.
— Não sei o que tens
em mente, mas preciso ser tua.
— Tenho todo o
tempo do mundo para te amar.
—
Então, ama-me... por favor.
Ele despe a
camisa. Sem resistir mais, Luna ajoelha-se, arria-lhe as calças, beija e suga,
sôfrega, o pénis altivo, engolindo-o tão fundo na garganta quanto pode. Sente o
deleite de Júlio pelos gemidos, a respiração ofegante. Ele carrega-a nos braços
para o quarto e pousa-a na cama repleta de almofadas. Despe-a. Fascinado com a
visão daquele corpo soberbo, acaricia-o suavemente, aperta-lhe os mamilos até
ela sentir uma leve dor e beija-os. Esfrega uma mão na vagina, lambe os seios e
mordisca, com paixão, os bicos espetados; ela treme. De repente, torna-se mais
sedento, os movimentos perdem a doçura; ela não protesta, gosta disso. Depois, vira-a
de costas; uma mão apalpa-lhe as nádegas, a outra brinca no grelinho, levando-a
à loucura. Ao senti-la prestes a gozar, lambe a gruta ardente, a língua movendo-se
célere. Luna não aguenta tamanha excitação, grita de prazer.
Deitando-se na
cama, Júlio pede que ela o cavalgue. Luna está louca, de olhos esgazeados.
Senta-se no falo e move-se consoante o ritmo que o amante impõe, apertando os
seios, mordendo os lábios, os longos cabelos negros balançando sobre o torso masculino.
Beijam-se com ardor, chupam as línguas, ficam nesse enlevo por algum tempo. Logo
após, os corpos giram. Agora, Júlio possui Luna por trás e morde-lhe levemente a
nuca, fazendo-a contorcer-se de prazer. Ao sentir a explosão iminente, uiva
como uma fera. Interrompe a penetração, desliza-lhe a língua no rabo e, numa só
investida, invade o ânus.
— Aaaaiii... Isso
dói, Júlio!
— Posso parar se
quiseres, querida.
— Não, Júlio! Não
pares! Faz-me gozar!
— Tens a certeza?
Queres mesmo gozar?
Luna, alucinada,
quer vibrar nas mãos dele. O seu rosto angelical, que se contrai com furor ao
atingir um orgasmo, chispa fogo dos olhos arregalados e ela gane como uma
cadela. Ele morde-lhe as orelhas, afaga-lhe os seios, estoca-a mais rápido. Quando
ela alcança o êxtase, crava-lhe os dentes no pescoço e explode, desvairado, a
seiva varonil nas entranhas femininas. Luna, extenuada, desaba na cama e cicia:
—
Oh, meu belo feiticeiro, que emoção! Amo-te!
—
Agora que te achei, minha deusa, jamais te deixarei.
Trocam
beijos apaixonados e relaxam nos braços um do outro, corpos exauridos
suando, corações acelerados, respirações descontroladas, todavia saciados, antevendo
um futuro risonho, promissor, recheado de fortes emoções.
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in «Clímax! Faça-me Chegar Lá!», páginas 33-36
Editora Illuminare (Brasil), Abril 2015
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